A verdade sobre a procrastinação e como lidar com ela

A verdade sobre a procrastinação e como lidar com ela

Posso lhes dizer, de cara, uma verdade sobre a procrastinação: nenhuma das soluções que você encontra numa pesquisa rápida da internet o ajudará a eliminar de vez o problema.

Parece contraditório ler isso em blog que você provavelmente encontrou numa busca na internet, mas acredite: é a mais pura verdade.

E digo isso com conhecimento de causa, porque eu devo ser o sujeito que mais leu artigos e dicas na internet sobre como acabar com a procrastinação em pelo menos três idiomas diferentes.

O motivo dessas repetidas falhas é que, bem mais do que apenas deixar para amanhã as coisas que deveriam ser feitas agora, quando examinamos em profundidade nossa relação com a procrastinação, encontramos bem mais do que uma mera ausência de organização, rotina ou cronograma de cumprimento de tarefas.

A verdade é que a procrastinação está diretamente ligada com nossos sentimentos e com nossa saúde emocional, por isso, quanto mais cavamos o poço na tentativa de eliminar a procrastinação, mais descobriremos sentimentos mal resolvidos.

Por conta disso, é IMPOSSÍVEL que você acabe com a procrastinação usando de meios externos: apps de gerenciamento de tempo, cronogramas na parede, vídeos motivacionais e dicas dos coachs de desenvolvimento pessoal… Nada disso vai te ajudar a acabar de vez com a procrastinação.

Todos esses métodos não curam a doença, eles só amenizam os sintomas, que não tardarão a aparecem novamente pouco tempo depois.

Então, como é que se resolve o problema de procrastinação?

Primeiramente, vamos entender por que procrastinamos, pois assim ficará mais fácil entender a verdade sobre a procrastinação e como derrotá-la de uma vez por todas.

Veja também um vídeo sobre o tema da procrastinação no canal do ComoViver.net no YouTube!

Por que procrastinamos?

Pensemos um pouco sobre o porquê nós procrastinamos.

Ok. Eu tenho certeza que você já deve ter visto milhares de explicações sobre o que é a procrastinação, sobre como o cérebro de um procrastinador funciona, talvez até já tenha lido alguns livros aprofundados sobre o assunto. Isso é ótimo, eu também já fiz tudo isso, mas assim como foi para mim, tenha quase certeza que foi para você também: nenhuma dessas explicações nos ajudou a acabar com a procrastinação.

Embora toda essa informação tenha, sem dúvida, sido útil para que nos pudéssemos nos conhecer melhor e o nosso cérebro também, conhecer os mecanismos de funcionamento da procrastinação, infelizmente, não é suficiente para acabarmos com ela.

Então deixe-me dizer claramente porque eu, você e todos os milhares de procrastinadores espalhados pelo mundo procrastinamos: nós procrastinamos porque nós PODEMOS procrastinar.

Parece uma explicação simplista demais, certo? E é mesmo. Por mais que existam livros, coletâneas de vídeos no youtube e artigos científicos por aí, a verdade é que, no fundo de tudo isso, a explicação simples e clara sobre o problema é que só procrastina aquele que pode procrastinar.

Você já viu um vídeo sobre procrastinação feito por alguém que mora numa zona de guerra?

Você já viu o vídeo de um pai desempregado com filhos para sustentar falando sobre como ele procrastina o dia todo?

Não? Eu também não. E o motivo é simples: pessoas em situações extremas NÃO PODEM procrastinar.

Imagine que alguém ofereça um asilo para alguém que viva numa zona de guerra ou um emprego que pague super bem a um pai desempregado. Será que eles procrastinariam ou agarrariam a oportunidade imediatamente? Eu aposto que agarrariam.

Portanto, a procrastinação é um subproduto do CONFORTO.

Como assim?

Não tem nada a ver com riqueza, não tem nada a ver com viver de renda e não precisar trabalhar, o que eu quero dizer é que, se não existe nenhuma consequência séria caso você procrastine suas tarefas, provavelmente você irá procrastinar. Simples assim.

Imagine que você tenha um trabalho importantíssimo para fazer e a data de entrega esteja marcada impreterivelmente para o dia seguinte, de modo que, caso você não a entregue, terá de repetir todo semestre. O mais provável é que você se empenhará totalmente na sua tarefa. E o motivo é simples: você não pode procrastinar.

Só existe procrastinação onde há excesso de conforto, onde não há consequências sérias e reais para sua procrastinação. Se você passar o dia jogando videogames, mas, no dia seguinte, houver comida na geladeira, um teto sobre sua cabeça, acredite, você provavelmente continuará procrastinando. É da nossa natureza agir assim.

Quando estamos nesse tipo de situação, só uma coisa pode nos fazer sair da inércia: uma consequência séria e dolorosa para nós. Isto é, quando a consequência da ação de procrastinar for mais ruim e desagradável do executar a tarefa, você fará o que tem de fazer. É por isso que só agimos sempre no último minuto, em cima do prazo.

Neste momento você pode ter pensado algo como “Ok, eu me encontro numa situação confortável, não há consequências sérias caso eu procrastine minhas tarefas, então eu devo simplesmente esperar tudo dar errado para que eu comece a agir em cima da hora?

Não. Se você não quer ser mais a pessoa que deixa tudo para a última hora e só age quando consequências sérias se aproximam, existe um método – na verdade o único que eu conheço e que realmente funcionou comigo – de como eliminar a procrastinação de uma vez por todas.

É o que eu chamo de “a verdade sobre a procrastinação”.

Então como se acaba com a procrastinação?

A única maneira de acabar com a procrastinação é por meio da AUTOCONSCIÊNCIA.

Essa é a grande verdade sobre a procrastinação.

Foi assim que eu acabei com a minha procrastinação: eu me tornei mais autoconsciente, não só de mim, mas do mundo ao meu redor.

Eu me lembro que foi durante o período muito difícil de minha vida. Eu estava endividado, tinha terminado um relacionamento que eu achava que seria para sempre, tinha um projeto grande em execução, mas que nunca ia para frente porque eu procrastinava a maior parte do tempo.

Eu tirei uma semana só para mim. Para refletir sobre minha trajetória.

Naquela semana eu pensei sobre tudo: minha infância, meus relacionamentos, minhas amizades, o local onde eu vivia, as pessoas que eu seguia nas redes sociais, mas, principalmente em quem era eu e o que eu queria ser.

Então, aos poucos, eu comecei ser trazido para a realidade: eu procrastinava porque eu podia, porque minha vida era tão confortável que eu podia procrastinar. Todos os dias que postergava concluir meus trabalhos, mas nada acontecia de imediato. Não havia ninguém para me aplicar um castigo, não havia nenhuma consequência tangível – nosso cérebro parece ignorar as consequências futuras, por mais ruins que elas possam ser.

Depois eu comecei a imaginar o futuro. Eu já estava com 25 anos. Não era mais um garoto, o que aconteceria se eu continuasse levando uma vida de procrastinação?

Eu chegaria aos 30 com um monte de projetos iniciados, mas nada concluído.

Eu jamais conseguiria me olhar no espelho e ficar feliz com meu corpo, porque eu nunca consegui manter a constância nos treinos.

Eu nunca realizaria meu sonho de escrever um livro, porque eu procrastinaria eternamente e nunca passaria da décima página.

Pensar em tudo isso foi me deixando muito mal, e isso foi bom de muitos modos, pois, às vezes, nós precisamos de um baque para acordarmos.

Descer até o fundo do poço pode ser a melhor coisa que pode nos acontecer.

Aliás, aqui no blog tem um artigo inteirinho sobre autoconsciência que pode te ajudar a se aprofundar no tema. Confere lá 😉

A verdade é que, as coisas que realmente valem a pena levam tempo. Ir à academia um dia é muito fácil, até a pessoa mais sedentária do mundo consegue ir à academia uma vez, o difícil é manter a constância, é ir todos os dias durante um ano para ter resultados. É muito fácil trabalhar um dia num projeto novo em que a empolgação esteja lá no alto, o difícil manter o projeto andando durante meses até que se concretize.

Tudo que é bom leva tempo. E você tem de estar consciente disso.

Eu não acordei como um guru iluminado e nunca mais procrastinei depois dessa viagem intensa na minha própria consciência, mas eu senti que algo em mim mudou. Diria que a autoconsciência me trouxe um senso de urgência que eu nunca tive antes.

Nos dias que se seguiram àquela experiência, eu ainda procrastinava, mas eu tinha consciência daquela situação. Não era mais como antes, quando eu procrastinava por excesso de conforto. Eu sabia e estava plenamente consciente do mal que estava causando a mim mesmo ao fazer aquilo, e foi então que minha mudança definitiva começou.

Não demorou muito e, tendo plena consciência da condição privilegiada de conforto em que eu estava, logo eu comecei a agir naturalmente.

Isso mesmo, eu não precisei de apps monitorando meus horários, eu não fiz nenhum ritual mágico, eu não precisei assistir nenhum vídeo de motivação, não passei a controlar meu sono, eu não adotei nenhum tipo de comportamento externo – meu interior, minhas convicções e razões de vida tinham sido transformadas – então eu só me levantava no meu horário e agia. Simples assim.

Por isso, baseado na minha experiência, eu proponho a você que:

  • Tire alguns dias com objetivo único de pensar em sua vida (suas carreiras, seus relacionamentos, seus desejos, como você se imagina daqui alguns anos, pense naqueles que não têm os mesmos privilégios que você, coloque tudo em perspectiva);
  • Depois disso, imagine como será sua vida se continuar a procrastinar (isso vai te forçar a pensar no futuro, nas consequências da sua não ação);
  • Por último, DECIDA de maneira honesta a mudar essa situação (essa decisão final é o que vai te catapultar a uma NOVA CONSCIÊNCIA transformada)

Não posso te garantir que isso funcionará com você da mesma forma que funcionou comigo, porém, desde que eu passei por essa transformação mental de autoconsciência, nunca mais eu procrastinei como antes: eu iniciei uma nova faculdade, terminei de escrever um livro, resolvi problemas sérios que eu adiava há anos, e hoje levo uma vida bem mais produtiva do que eu levava antes.

Não confie em coisas externas para mudar suas ações, somente uma mudança interior será capaz de levá-lo aonde você realmente deseja e pode chegar.

Conclusão

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J.R. Dittman