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O que é SUPERCONSCIÊNCIA segundo Colin Wilson

Imagem de mulher sentada contemplando o horizonte num estado de superconsciência, conforme proposto por Colin Wilson

E se fosse possível atingir um nível de consciência tão aprofundado capaz de nos permitir enxergar a realidade a partir de uma ótica completamente nova, expansiva e de alto potencial? É justamente isso que propõe Colin Wilson em seu livro “Superconsciência: A Busca Pela Experiência Máxima”.

Colin Wilson é um autor controverso, inclinando-se ora para a filosofia, ora para o misticismo, e polêmico em muitas de suas teses sobre a vida e espiritualidade, mas que sem dúvida têm seus méritos, sobretudo no que concerne às formas alternativas de se ver a realidade.

Sua principal obra é “The Outisder”, publicado no Brasil pela Editora Martins Fontes nos anos oitenta sob o título de “O Outsider: O Drama Moderno da Alienação”, obra essa que o catapultou para o mundo literário ainda na década de cinquenta no Reino Unido.

Aliás, se você quiser conferir um artigo completo sobre The Outsider, a principal obra de Wilson, aqui no blog já existe um artigo completo sobre o livro: O que é ser um Outsider segundo Colin Wilson.

Em “Superconsciência”, a proposta do escritor inglês é dar continuidade a um dos temas abordados em “O Outsider”, mas especificamente os estados de enternecimento, ou como ele os chama, as “Experiências de Pico”, como forma de se atingir uma consciência plena.

O que são Experiências de Pico?

Como mencionado, o objetivo maior de Wilson com seu trabalho em “Superconsciência” é descrever e esmiuçar as chamadas “Experiências de Pico”, haja vista o fato de que, através dela, abre-se os caminhos para uma consciência inacessível em condições normais.

Mas o que são as experiências de pico?

Wilson descreve que teve o primeiro contato com a ideia quando leu os trabalhos de Abraham Maslow, o psicológico americano famoso por ter criado a tão conhecida “Pirâmide de Maslow”.

Em seu trabalho, Maslow esclarece que as experiências de pico são experiências que, por algum motivo, tiram as pessoas de seu estado de consciência comum, levando-as para um estado de atenção plena, materializado num pico de energia consciente em relação à vida.

Ou seja, essa experiência em muito se iguala a uma epifania espiritual que muitos gurus, ascetas e místicos de todos os credos sentem durante rituais ou orações.

Porém, esclarece Colin Wilson que essas experiências podem ser apreciadas por qualquer pessoa e, geralmente, todo mundo, em alguma medida, já experenciou alguma experiência do tipo.

Em resumo, uma experiência de pico é um estado de consciência quase sobrenatural em que a mente mergulha quase por completo num estado de enternecimento, de apreciação da vida e das coisas como elas são, assemelhando-se a um “estado de flow”.

Aliás, se você quiser saber mais sobre Autoconhecimento, aqui no Blog já tem um artigo completo sobre o assunto: Autoconhecimento: significado e dicas de como desenvolver.

Exatamente por isso, muitos a descrevem como uma epifania, um despertar para um estado que sempre esteve ali, mas que até então não era percebido como algo possível ou deleitável.

Mas por qual motivo deveríamos nos interessar por essas experiências de pico? Quais os benefícios delas para nós?

Colin Wilson sugere que elas são verdadeiras portais para que possamos acessar uma superconsciência, um estado tão presente e harmonioso com a vida em que podemos evoluir tanto mentalmente como espiritualmente para estados mais elevados de atenção.

O que é Superconsciência?

Superconsciência é um estado de atenção plena levado ao seu máximo alcance, capaz de nos fazer enxergar e sentir a vida de maneira harmoniosa, plena e sem julgamentos desnecessários.

A palavra que mais traduz o sentimento de superconsciência é “enternecimento”, uma palavra que, embora pouco usada no atual momento em nosso português moderno, pode ser traduzida como um verdadeiro sentimento de brandura e ternura em relação a si mesmo, em relação aos outros, em relação ao mundo e até mesmo em relação ao universo como um todo.

É o sentimento de paz acolhedora que toma conta do ser.

Você consegue se lembrar de algum episódio de sua vida em que, observando um entardecer, ou um rio, ou olhando seus filhos, você sentiu uma paz tão grandiosa, sem nenhuma explicação aparente?

Isso é a experiência de pico, que foi relatada por vários e vários filósofos e místicos de todo mundo, incluindo-se: Nietzsche, Ramakrishna e o próprio Colin Wilson em diversas ocasiões.

Ao contrário do que se pensa, Colin Wilson esclarece que a superconsciência é algo comum, e que pode ser alcançada facilmente por qualquer pessoa, porém algo nos impede de alcançá-la hoje em dia: a negatividade em excesso.

As energias negativas têm como principal característica o poder de baixar nossos níveis de harmonia, atenção, felicidade e de conexão com o mundo e com nós mesmos e, por isso, trata-se do principal obstáculo para aqueles que querem alcançar o estado de superconsciência.

Aliás, se você quiser saber mais sobre negatividade tóxica e sobre o terrível “Efeito Eclesiástico”, também descrito por Colin Wilson, aqui no Blog já tem um artigo completo sobre o assunto: Efeito Eclesiastes: os perigos da Negatividade Tóxica.

Para se ter uma ideia, alguém em razoável harmonia e em um estado de relativa positividade pode ter uma experiência de pico apenas por falar sobre o tema e imaginá-la acontecendo.

Colin Wilson relata que, nas experiências conduzidas por Maslow, grupos de estudantes universitários se viam tendo diversas experiências de pico simplesmente por debaterem sobre o assunto em sala de aula. Essa simples atividade foi capaz de induzir nos estudantes que participaram experiências de pico ao longo das semanas seguintes.

Assim, para atingir as experiências de pico, faz-se necessário combater os principais obstáculos para sua concretização.

Comportamentos inibidores da Superconsciência

Se a Superconsciência é um estado de enternecimento absoluto, qualquer coisa, hábito, comportamento ou pensamento que se opõe a isso, naturalmente, funcionará como um obstáculo que impede a apreciação das experiências de pico.

Portanto, o melhor é eliminá-las por completo.

Os principais comportamentos inibidores das experiências de pico são:

  • Negatividade: que baixa as energias positivos e deixa o corpo cansado e pouco propenso a entrar no estado de fluxo necessário para a experiência de pico;
  • Preguiça: a preguiça funciona como uma destruidora da vontade, fazendo com que a mente permaneça em um estado de ociosidade e moleza;
  • Maus hábitos: evitar os hábitos que prejudicam o corpo de modo geral, tais como sedentarismo, alimentação ruim, estresses, etc;
  • Tédio: Wilson o descreve como o comportamento mais perigoso de todos, pois transporta nossa mente para um estado suscetível a qualquer tipo de ideia.

Todos aqueles que pretendem vivenciar as experiências de pico e, aos poucos, vislumbrar também os benefícios da superconsciência, devem investir em eliminar os obstáculos mencionados acima, pois, sem um estado propenso à imersão na positividade, o estado desejado para que a experiência de pico aconteça se torna praticamente impossível.

Comportamentos que induzem as Experiências de Pico

Depois de eliminadas as condições que dificultam o surgimento das experiências de pico e a superconsciência, está preparado o “terreno” para que as coisas possam acontecer, mas é preciso certo esforço.

Da mesma forma que nas técnicas de meditação, para a indução das experiências de pico, a atenção é a chave que se procura.

Primeiramente, é preciso que recarreguemos nossas energias, é impossível adentrar no estado de superconsciência quando estamos cansados ou estressados, e a melhor forma de fazer isso é desviando a atenção para as coisas que você goste.

Pintar, nadar, refletir, escrever, não importa o que seja, o fato é que você precisa desviar sua atenção para coisas que agradem seu espírito, fazendo isso, você vai estar em harmonia com a superconsciência.

Estar emocionalmente saudável é o que se busca.

Essa primeira etapa é simples e não requer nenhum tipo de ação controlada ou pensada, basta se entregar àquilo que te faz bem, que te energiza e que coloca seu corpo e mente num estado de positividade.

A segunda coisa a se fazer, é concentrar nossa atenção nas experiências de pico. Como relatado, apenas o ato de pensar e discutir sobre esse tipo de experiência já é suficiente para induzi-las, pois aquilo que povoa nossa mente, é para onde canalizamos nossa atenção.

Assim, a primeira das coisas a se fazer é pensar sobre experiências de enternecimento que você já teve no passado.

Relembre as experiências em que você experimentou uma paz gigantesca, uma sensação de conexão com a vida, uma verdadeira situação harmonia com o mundo e o universo.

Pensar nessas situações de maneira rotineira, porém concentrado, com foco em todas as pequenas emoções, é o primeiro passo para você possa experimentar uma experiência de pico.

Esse exercício por si só, que é uma mistura de gratidão com esforço de concentração, muitas vezes já suficiente para alcançar a susperconsciência, que vem quase sempre quando menos se espera.

Entretanto, outro exercício que pode ajudá-lo na busca pela experiência de pico é usar da superconcentração em alguma atividade simples. Por exemplo, observar as coisas bem de perto, analisando-os por completo, escrever alguma coisa com o máximo de atenção possível, meditar se concentrando em sua respiração ou em algum ponto fixação.

Aliás, a presença de um Sentido de Urgência em relação à vida é de um todo desejável, pois nos coloca num estado mais aberto em relação à vida e ao tempo. Aqui no Blog já tem um artigo completo sobre o assunto, vale a pena conferir: O que é Senso de Urgência: significado e vantagens.

Todos exercícios tem o mesmo objetivo: focar sua atenção em apenas uma coisa (por isso, se você é multitarefas, deve evitar esse comportamento por completo), pois a superconsicência só acontece quando estamos imersos numa corrente contínua de atenção.

Como se vê, a conjunção das ações de eliminar os obstáculos à experiência de pico e os exercícios de concentração são quase sempre suficientes para induzir o estado de superconsciência, embora não se deva esperar experiências rápidas e fáceis, pois é preciso não apenas querer, mas também se sintonizar com as frequências certas para alcançar o objetivo pretendido.

Conclusão

Em superconsciência, Colin Wilson, sem dúvida, desenvolveu em muito as teses apresentadas por Maslow (que infelizmente, ele mesmo não teve muito tempo de desenvolvê-las), procurando estruturar de uma forma mais ou menos lógica como se alcançar esse estado que, para muitos, ainda para algo sobrenatural e inalcançável.

Porém, em seu livro, o escritor inglês, sem dúvida, buscou mais orientar a todos para os perigos do pessimismo exagerado do que propriamente desenvolver uma tese de como atingir a superconsciência.

A ideia contida no livro definitivamente se aproxima mais de uma série de conselhos voltados para a eliminação das cargas negativas em nossas vidas, de modo a abrir espaço para boas energias e, como consequência lógica, para as experiências de pico também, do que qualquer outra coisa.

Portanto, em “Superconsciência: A Busca Pela Experiência Máxima”, vemos um quase-tratado contra a negatividade, o desânimo, a inconstância e passividade diante da vida.

Sem dúvidas, trata-se de uma obra interessantíssima, que aborda e percorre diversas ideias, trabalhando conceitos que não temos espaço aqui para dissertar por inteiro.

Por isso, fica a recomendação da leitura dessa obra, talvez a segunda mais importante da carreira de Colin Wilson, logo atrás de sua obra prima, The Outsider.

Escrito por J.R.

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